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Em outubro de 2000, o biólogo e ativista político Alex Goldfarb recebeu um telefonema de seu amigo Boris Berezovski, o empresário russo que, depois de tornar-se uma das pessoas mais ricas e poderosas do país, caíra em desgraça e fora obrigado a exilar-se na França. O assunto do telefonema era Alexander "Sacha" Litvinenko, o ex-agente da FSB (a antiga KGB) que, anos antes, tornara-se famoso ao afirmar - em uma coletiva de imprensa, rodeado de agentes mascarados - que altos funcionários da FSB planejavam assassinar Berezovski. Na época, o presidente da FSB era o até então desconhecido Vladimir Putin. Litvinenko foi punido à moda antiga: abriu-se um processo em que a FSB o acusava de ter agredido um suspeito, e Litvinenko acabou preso, foi libertado meses depois e em seguida voltou para trás das grades, réu de uma acusação semelhante. Goldfarb conhecia o caso. Quando ainda trabalhava para o megainvestidor americano George Soros, tentara em vão entrevistar Litvinenko, como parte de um programa para erradicar a tuberculose das prisões russas. Soube, por Berezovski, que Sacha, sentindo-se cada vez mais ameaçado, fugira para a Turquia com a mulher e o filho, e precisava de ajuda. Goldfarb, ele mesmo um dissidente da época do comunismo, não hesitou e partiu em seguida para o sul daquele país, onde os três estavam escondidos. Em uma seqüência de eventos que em muito lembra um romance de John le Carré, Goldfarb conduziu os Litvinenko até Ancara, depois Istambul e então para a Inglaterra, onde planejavam pedir asilo político. Após algumas semanas turbulentas, quando ainda pairava o fantasma da deportação, a Inglaterra os acolheu e, com ajuda financeira de Berezovski, os Litvinenko se estabeleceram em Londres. Seis anos depois, Sacha foi envenenado por uma substância raríssima, o polônio-210, e enquanto agonizava diante das câmeras de todo o mundo, acusou Putin de ser o mandante do crime. Era a volta da KGB. Essa é a história que Goldfarb - amigo próximo da família desde o incidente na Turquia - e Marina Litvinenko, viúva de Sacha, contam neste livro. Mais que isso, Morte de um dissidente é um rico panorama político da Rússia atual. Para entender a raiz do conflito entre Putin e Litvinenko, o livro parte das privatizações que assolaram o país após a queda do comunismo e mostra como, depois de valer-se da fortuna e do poder desses novos oligarcas russos para eleger-se, Putin os abandonou e consolidou um governo composto majoritariamente de antigos quadros do temido serviço secreto soviético. Enquanto a guerra voltava a estourar na Tchetchênia, e em meio a uma trama complexa de mentiras e acusações, Litvinenko foi uma das primeiras vozes dissidentes do novo regime. Como ele, outros já foram calados. Este livro tenta explicar como e, o mais importante, por quê.
Cia. das Letras - 1ª ed. - 2007 - 472 pág. - brochura
MORTE DE UM DISSIDENTE - Alex Goldfarb e Marina Litvinenko
Em outubro de 2000, o biólogo e ativista político Alex Goldfarb recebeu um telefonema de seu amigo Boris Berezovski, o empresário russo que, depois de tornar-se uma das pessoas mais ricas e poderosas do país, caíra em desgraça e fora obrigado a exilar-se na França. O assunto do telefonema era Alexander "Sacha" Litvinenko, o ex-agente da FSB (a antiga KGB) que, anos antes, tornara-se famoso ao afirmar - em uma coletiva de imprensa, rodeado de agentes mascarados - que altos funcionários da FSB planejavam assassinar Berezovski. Na época, o presidente da FSB era o até então desconhecido Vladimir Putin. Litvinenko foi punido à moda antiga: abriu-se um processo em que a FSB o acusava de ter agredido um suspeito, e Litvinenko acabou preso, foi libertado meses depois e em seguida voltou para trás das grades, réu de uma acusação semelhante. Goldfarb conhecia o caso. Quando ainda trabalhava para o megainvestidor americano George Soros, tentara em vão entrevistar Litvinenko, como parte de um programa para erradicar a tuberculose das prisões russas. Soube, por Berezovski, que Sacha, sentindo-se cada vez mais ameaçado, fugira para a Turquia com a mulher e o filho, e precisava de ajuda. Goldfarb, ele mesmo um dissidente da época do comunismo, não hesitou e partiu em seguida para o sul daquele país, onde os três estavam escondidos. Em uma seqüência de eventos que em muito lembra um romance de John le Carré, Goldfarb conduziu os Litvinenko até Ancara, depois Istambul e então para a Inglaterra, onde planejavam pedir asilo político. Após algumas semanas turbulentas, quando ainda pairava o fantasma da deportação, a Inglaterra os acolheu e, com ajuda financeira de Berezovski, os Litvinenko se estabeleceram em Londres. Seis anos depois, Sacha foi envenenado por uma substância raríssima, o polônio-210, e enquanto agonizava diante das câmeras de todo o mundo, acusou Putin de ser o mandante do crime. Era a volta da KGB. Essa é a história que Goldfarb - amigo próximo da família desde o incidente na Turquia - e Marina Litvinenko, viúva de Sacha, contam neste livro. Mais que isso, Morte de um dissidente é um rico panorama político da Rússia atual. Para entender a raiz do conflito entre Putin e Litvinenko, o livro parte das privatizações que assolaram o país após a queda do comunismo e mostra como, depois de valer-se da fortuna e do poder desses novos oligarcas russos para eleger-se, Putin os abandonou e consolidou um governo composto majoritariamente de antigos quadros do temido serviço secreto soviético. Enquanto a guerra voltava a estourar na Tchetchênia, e em meio a uma trama complexa de mentiras e acusações, Litvinenko foi uma das primeiras vozes dissidentes do novo regime. Como ele, outros já foram calados. Este livro tenta explicar como e, o mais importante, por quê.
Cia. das Letras - 1ª ed. - 2007 - 472 pág. - brochura
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